segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

VESTIDO DE FEIRA


Era um vestido
Correndo solto e feliz
Alegre e saltitante
Tão perto e tão distante
Pisando na grama
Agradecido pelos pés descalços
Alma leve, braços abertos
Marcava a cintura,
Apertava o peito
Deixava à solta, as coxas

Era um vestido
Girando e  provocando brisa
Cheirando à terra molhada
Solto, a baixo dos cabelos presos
Preso acima de seus desejos
Envolto
Em meus braços
Em minhas mãos
Desatados os nós,
Aberto fecho, lacinho e griló

Era um vestido
Personalidade pura
Cabia-lhe santa, esperta ou puta
Caimento perfeito
Em todos os números
Em todos as poses
Em todos os gestos
Do errado ao certo
Do pretérito ao imperfeito
Em tudo aquilo que lhe fosse de direito

Era um vestido
Que lhe subiu as ventas
E lhe consumiu o juízo
Entrando por todos os orifícios
Abusando de todos os artifícios
Encantou-se pelo ofício
Que a transformou em mulher
E foi-se embora feliz e faceira
Numa noite de sexta-feira
Vestido comprado na feira



Por: Henrique Biscardi

3 comentários:

  1. Que poema mais lindinho. É adorável! Parece uma manhã de primavera. Meio enigmático o final... rs... mas ainda assim não roubou o encanto que transbordou daquelas imagens do vestido todo alegrinho pelo dia. Beijo, Flá

    ResponderExcluir