quinta-feira, 6 de outubro de 2011

FELINA


Estou só em minha luta
Na labuta da noite,
No miado do gato que mia
Na espreita da rua fria,
Esguia, suave amarga mania
De fome, de selva, geria
Gélida boca desatina 
Mentira, sangue e carniça
Na latrina de um mais queria
Toda tola, vã, esperança viva
Que nunca morre, sem valer a vida

Siga em frente em sua teimosa ia
No bailar de versos e poesia,
Resistindo à força a forçosa ira
De mentes perversas e possuídas
Baila esperto por entre fios e lixeiras
Pula, Felino!
Por entre telhados, zinco e telhas
Selvagem, centelha
De fogo, coragem,
Pois não lhe falta amor
Há em você verdade

Preserve, então, a doce eterna magia
Desse sonho que um dia sonhou, eternizar 
Encare a dor que se apressa em via
Se deve acontecer, acontecer ia
Hoje ou qualquer dia
Quem sabe assim, desistiria  
Dessa loucura de ter sete vidas
Quem sabe assim, não mais me veria
Como um vira latas qualquer
Deitado a sua espera
No parapeito de uma janela, de vidro.  


Por: Henrique Biscardi

terça-feira, 4 de outubro de 2011

DISSOLVIDO



Sonho sonetos dissonantes
Dissolvidos , dissolventes, dissolutos
Naquilo que tanto luto
Um dia que reluto
Penso
Se existe existência maior do que a crença
Não vejo
Se existe verdade mais verdadeira que tem convença
Não enxergo
Quem te cegou?
Dizem que o amor é que é cego

Foi seu cigano que, salvo engano
Avisou-me de tal desencanto
Desencane de tal culpa, moço
Não foi mero seu esforço
Esmero dorso que me encantou
Me derrubou, mas não na cama
Porque lá ainda me amas
Porque lá ainda me queres
Sem querer dizer
Sem querer se convencer

Mas nem por isso
Serão minhas as rugas
Nem frias serão as ruas 
Sofrimento sofrível até pode acontecer
Por ver seu corpo ardendo sem poder
Porque se podes arder assim
Como é que depois que sai de mim
Mim não existe
Para você?

Não suplico uma explicação explicada
És sincera em meu braços, amada
Isso para mim é o que importa
Pois quando dizes que sua mente acorda
Pensas que me apavora
Mas reprovas a prova de toda a hora
Pois não são minhas as mentiras
Não são meus os disfarces



Desfaço logo qualquer mal entendido
Qualquer desejo reprimido
De querer impor minha verdade
Eu sei quem és, dona sem maldade
Diga, então, sinceridade
Sincero fui em qualquer tempo
Qualquer idade

Sinto a distancia distanciando
Numa nuvem, se apagando
Longe, divagando
Me perdoe,
Meu coração não está amando
Está sofrendo, está parandode te amar

Parado pardo apático
Laço desfeito e enfático
O grito do eco lascivo
Nocivo, venal , fel
Destino cru, nu e cruel

Desvelada sua vil natureza
Por de trás de tanta beleza
Encontrei uma fúria desenfreada
Freada, fria e precisa

Fez o que era preciso
Num tarde de inverno qualquer
Deixou-me sozinho na estrada, a pé

Abriu o ralo
E viu descer nosso amor

Dissolvido


Por: Henrique Biscardi

sábado, 1 de outubro de 2011

QUE SEJA


Pensei em lhe escrever algo
Que fizesse mais sentido
Do que o meu eu, assim mordido
De tanta insistência, resistência, clemência, paciência
Para olhar assim, só um pouco,
O Seu sorriso

Ainda que, com a luz apagada,
Penso caminhar distancias
Distancias que são marcadas
Pegada a pegada,
Dor e pulsação
Contente e acelerada

E nós aqui, teclando, teclando, teclando
Meu coração quer encontrar os seu
Quer desejar a sua boca,
Gamar no seu sorriso,
Lhe engabelar
Cumprir os seus caprichos

Respirar a sua transpiração,
Inspirar e sonhar
Acordar diante dos seus olhos acanhados
Maldosamente, entranhados no travesseiro
Cuidadosamente assentado,
Forma e esmero

Seu corpo é um poema e minha voz está rouca
Sofrida e abafada pelas intermináveis horas
Loucas,
E permanecemos aqui
Teclando, teclando, teclando

Enquanto o mundo corre lá fora
E esperamos aqui dentro
Uma pausa, um offline
A entrada, um alento
Nesse meio tempo
Tenso

Nas linhas, nas falas, no verbos,
Uma palavra, um verbo
Uma linha, uma virgula, um ponto,
Bate o ponto e o ponto
Mas não bate as horas
De ir ao seu encontro

E continuamos
Teclando, teclando, teclando
E eu aqui imaginando
O que falta para esse nosso encontro?
Que seja carnal , venal, que seja
Que seja. 

Por: Henrique Biscardi

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

FARTO


Estou farto do fardo de não ser do meu agrado
De ouvir minhas mentiras cínicas com indiferença
De suplicar que eu fique enquanto desejas que eu vá
À merda e onde mais eu for
Desde que eu volte.

Sou grato, de fato, se ouvires teu cheio saco
De tanto te engabelar frente aos seus convidados
Enquanto desejo a saia mais rodada
Amarrotada e despida, na cama,
Qualquer amiga, minha ou sua.

Estou calejado de seus jogos e armadilhas
Dessa sua dor de cabeça, tonteira
Dessa sua bebedeira, e choro e promessa
Das coisas que me arremessa
E me arrebentam o peito e a cabeça.

Sou gato, fino e escaldado
Para saber fugir dos seus escândalos
Para pungir o seu lance
E saber de prontidão o seu alcance
O seu limite

Estou saindo, indo embora
Porque não apenas finge  e  não me dê bola
Deixe que eu saia pela aquela porta
Deixe que eu tenha vontade de voltar
Quem sabe, eu volto a te respeitar!

Obrigado pelo bolo e pela festa
Faz dois anos que eu te deixei
Faz dois anos que eu a amo mais do que você.
Mas você nem quer saber!
Faz dois anos e você nem notou.


Por: Henrique Biscardi

terça-feira, 20 de setembro de 2011

ESPERANÇA


Por que eu penso em você
   Até quando não estou pensando em nada

Quando estou divagando
Voando, plainando, sentido, buscando,
Curtindo, amando, cantando, sonhando, apertando
O peito, as mãos , os dedos

Quando estou balançando as pernas, os joelhos
Os braços.
Aconchego.

Então,
Não me culpe por meu caminho
Não me arranque dos seus espinhos
Não há dor neles
São pontas que me permitem arremessar-me
Arrebatar-me em desejos, sonhos e planos
Relevos acidentados, caídos ou elevados
Sublimes ou naufragados

Em meus pensamentos
Em meus depuramentos
Calmaria , sossego,  beijo e paz


Faz-me  perguntas demais!
Eu te dou mais que palavras
Você me empresta o seu ar
Seu ardor,seu frescor, medo, pavor
Ainda pergunta, onde está sua graça ?
Pirraça!

É cantiga
Mainha, que nina, que cuida, minha
Que trata, retrata, apreende,  arrebata

Aquilo que me traz de força
De inspiração
Fascínio

Pequenino me expulsa do ninho
Me faz voar


Por: Henrique Biscardi

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Passageira

E lá vem você,
passageira,
Só pode estar de brincadeira
Querendo o meu amor
Hum! Sei não
O seu sorriso é sério
E enxergo em cada ponto desse mistério
A razão desse seu olhar

E lá vem você
Com ele assim, brilhando
Achando encanto em tudo o que há
Numa folha caída de árvore
Na formiga que atravessa a rua
Nas esferas que circundam a lua...
O meu mundo?
É  só você chegar

E lá vem você assim,
Quimera
Bem sabe,
Estava a sua espera!
Não apenas para ter a ti, em meus braços
Quero mesmo te ver voar!
Ouvir o seu canto,
Sentir o seu peito bater
No doce embalo das ondas do mar
Ouvir você respirar, feliz
Te aconchegar

E lá vem você,
Despretensiosa,
De alma pura e corajosa
Me pega, me beija e se esfrega
E  logo seus lábios se fundem
Comigo, confundem
É sonho ou realidade
Vertigem, medo ou verdade?
Que nada! É só felicidade.
Expande essa sua alegria, menina
O mundo precisa de bondade.


Por: Henrique Biscardi

terça-feira, 31 de maio de 2011

O ANIVERSÁRIO

Amigo, quanto tempo!
Noites, dias, escuros e claros
Venha aqui, me dê um abraço
Outro dia, o Léo perguntou por você
Por onde anda...
Poxa, faz mesmo um tempo
Entra!

O Cardoso, não vem
Não tem problema,
passou e-mail, fax, telefonema
figuraça, assim como o Joel,
Boa praça!
Este, mandou uma mensagem
Imagina, disse que está em lua de mel

Tuninho também telefonou
Está sem dinheiro!
Porra! Vem,  pago a passagem
Mas ele nem
O que se pode fazer?
Nem tudo mundo está bem
Mas você...

Opa! Marcela!
Se achegue, convido
Abre a cortina, deixe o sol entrar
Quer  guaraná?
Sente aqui, cabe mais
Se aperte aí, ô
Chega pra lá
E cabe mais uma
Aqui, lá e acolá

Leandro também chegou
Esse, vem dos tempos de saudade
Da  escola, dos namoros, da faculdade
Das provas e dos trabalhos
Do compromisso
Menino, deixa disso!
Nos conhecemos a quanto tempo, rapaz?
Ficou acanhado?

Monique, Carla, Edivaldo
Patrícia, Souza e Osvaldo
O Osvaldo, cara!
Osvaldinho era magrinho,lembra?
Gisele apenas sorriu
Embaraçada diante do marido
Que momento!
Essa eu podia não ter dito

E o tempo passou assim, seguindo
Avante, relevante, cativante
À janela,   um pássaro
Amigos são como pássaros
Pensei
Voam e voltam
Libertos e aprisionados
Queridos e amados,
Amigos.  


HENRIQUE BISCARDI