terça-feira, 24 de maio de 2011

Contos e Cronicas: A MENINA DO LIVRO RISCADO

Contos e Cronicas: A MENINA DO LIVRO RISCADO: "Saia rodada, bata colorida e um belo sorriso. Mascava chicletes. Tirou-os da boca com a ponta dos dedos e olhou para João. O rapaz tentou nã..."

segunda-feira, 23 de maio de 2011

PENSAMENTO E ASSÉDIO

Saquei o seu gingado e seu olhar
Todo assanhado, me chamando para bailar
Faceira, menina, cuidado
Não é nem sexta-feira e você já toda domingo

Dormindo, sonhando, ancorada em meus braços
Envolta em meus lençóis
Me prende ao seu corpo
Segura meus pulsos e mastiga meus lábios

Sacia o corpo,
O meu , o seu
Olho para o teto,
O nosso.

Nossa! meio-dia e nem fui trabalhar
Me visto apressado, seu crivo, seu visto
Um detalhe que me escapa,
Olha a chuva, pega uma capa!

E você semi-nua bolinando o ventre
Gemendo, se contorcendo
Dedo na boca, febre
Que coisa louca!!!

Fez caminhos em minhas costas
Mordidas caninas em meu pescoço
Em meus ombros, em meu peito
Assombro, assopro, janelas batendo um vento

Eu suado, você molhada
Nossos poros respirando
E nossos corpos se achando
Nós ainda nos amando

A cabeça girava,
Tudo isso enquanto você digitava, me ignorando
E eu aqui, te olhando
Pela fresta entre a divisória e o seu monitor


HENRIQUE BISCARDI

terça-feira, 17 de maio de 2011

LEMBRANÇAS



TODA VOZ QUE EU OUÇO NO DIA
NÃO SÃO TÃO CLARAS,
NEM SÃO TÃO  DOCES,
NEM SÃO ACORDES, MÚSICA OU  POESIA,
IGUAL VENTO QUE SOPRA NO FINAL DE CADA DIA

NEM  SEU PRIMEIRO BRILHO
ARDENTE E NASCENTE
NÃO FAZ  SE QUER ME AQUECER
E NEM DIANTE DE TODO O  MEU SABER
NADA É O QUE FAZ PARECER

TODA AQUILO QUE EU FALO  NO DIA
NÃO É TÃO CLARO
NEM TÃO DOCE
NEM SERVE DE ALENTO OU PREGAÇÃO
IGUAL CANTO DE FÉ NO MEIO DE ORAÇÃO

NEM TODO TEMPO QUE PASSA FAZ MELHORAR
SEGUNDOS, MINUTOS E HORAS
TENTO ENROLAR
E NEM DIANTE DE TODO O MEU ESFORÇO
DEIXA DE SER O QUE FAZ PARECER

TUDO AQUILO QUE EU CALO NO DIA
NÃO É TÃO CLARO
NEM TÃO DOCE
NEM ME SERVE DE CONSOLO OU PRÊMIO
IGUAL OLHAR AS ONDAS SEM PODER CAIR NO MAR

NÃO QUERO ACALENTAR MINHA SORTE ESCONDIDA
TRAZER DE VOLTA MEUS SONHOS SOFRIDOS
MEU SOPRO GUARDADO E REPREMIDO
UMA VOZ QUE SE CALA,
UM BREVE GEMIDO

POIS JÁ É HORA DE ACORDAR PRA VIDA
DE ARREBATAR  DE QUEM NÃO QUERIA
AS TRISTES LEMBRANÇAS, MELANCOLIA
POIS ÉS A VIDA
É  O QUE ME RESTA,
SORRIA!                            


HENRIQUE BISCARDI
                          

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A MARGEM DO LAGO

A MARGEM DO LAGO

TE VEJO, DO OUTRO LADO E ATRAVÉS
DE ESCAPE E REVÉS
DE SEUS DESEJO
DE MEUS DESEJOS.

SEUS OLHOS, SUA BOCA
SEUS SEIOS E QUADRIL,
SUAS ENTRANHAS, ESTRANHAS
SUAS PROFUNDEZAS E PROFUNDIDADES
SEU BRILHO, SEU DORSO, SEU PERFUME E SUA BRISA
SEUS ANEIS, AH, SEUS ANÉIS!

SÃO GRANDES AS SUAS MÃOS
BELEZA E SABEDORIA QUE ME ALCANÇAM
NA IMENSA VONTADE DO MEU SER
ARREBATA, DISPERSAR, ARREBENTA,
DESTRONA, DETONA, TODAS ESSA MINHA SENSATEZ
TODA ESSA MINHA IMENSA VONTADE TOLA
JOGADO  À LONA, QUE INSITE,
VOLTA A TONA, PÓ, POEIRA E DESASTRE


SEU CAMINHO, ESPINHO E VERDADE
PERFUME, ABELHA, QUE ESPALHA ESSE MEL,
ESSE FEL, ESSA TEZ,
  QUE BROTA DA INSENSATEZ DE SEU OLHAR
  OFUSCA O BRILHO DO MEU QUE É TEU
É INFINITO, LARGO SORRISO BONITO LAGO, LARGO
SE FUNDE EM PENSAMENTOS, NOS MOMENTOS, NOS SEGUNDOS
ETERNOS E DESNUDOS
EM QUE FALAMOS DIRETO,CORAÇÃO A CORAÇÃO,


AO LARGO DE NOSSA CONCIENCIA, FISSURA E CIÊNCIA
AO LARGO DE TODA NOSSA CAPACIDADE EM DIVIDIR,
DIFUNDIR, REFLETIR, DISPERSAR , CONFUNDIR.
O LAGO, NÃO! NO LAGO NÃO.
NO LAGO, AS PEDRAS SEMPRE FORMAM ONDAS
ONDAS QUE CAMINHAM PARA A MARGEM.
ESTAMOS À MARGEM, ENTÃO.
ESTAMOS À MARGEM, DO LAGO.


 HENRIQUE BISCARDI

quinta-feira, 14 de abril de 2011

BEIJO

Queria estar próximo, tão próximo
Mas tão próximo  que, vesgos,
Seus olhos envergariam
Como se pudessem enxergar
Algum sentido naquele beijo
Que deixa e me deixa estarrecido
Enlouquecido, esquecido
De quem sou e do que estou a fazer

Queria estar próximo, mas tão próximo
Que meus lábios nem precisariam tocar os seus
E o seu gosto inalado, penetrado
Pelas narinas, instalado
Sentir a sua respiração, o seu rítmo
É tão bom que eu queria, muito.

Queria estar próximo, mas tão próximo
Que nem precisaria te tocar
Para sentir a sua pele roçar na minha
Para desviar-me do inebriante dorso de seu colo perfumado
E me perder nas entranças de suas lançase banhadas
Ancas sensíveis e acanhadas

Queria estar próximo, mas tão próximo
Que nada disso eu precisaria estar dizendo
Você olharia no espelho de meus olhos
E veria a  imensidão de nossas almas, 

Desse encontro 
E do espaço que lhe cabe em minha vida
Os hectares, o verde, as planícies

Queria estar próximo, mas tão próximo
Que seria impossível separar,
Inimáginável distinguir,
Impensável existir algo além de nós
De nosso beijo
Desse momento, eterno
 Beijo.

terça-feira, 5 de abril de 2011

MENINA

Hoje meu coração amanheceu feliz e eu nem sei o por quê
Apenas amanheceu assim,  sorrindo
Lembrando música e versos
Lembrando-me de seus cabelos molhados
De seu sorriso despojado, me olhando assim, de lado

Eu, no meu canto acanhado ,deitado
Curtia cada momento encantado desse dia
Sem hora para levantar
Sem hora para nada,
Sem  pressa, sem rugas de promessas não cumpridas
Sem fugas, lamúrias, injúrias
Só amor.

E ter tempo para  suspirar
Espreguiçar, sorrir, sonhar
Voltar, sorrir, cantar.
E passear com os dedos por seu rosto em minhas fotos
Caminhar ao seu encontro e te tocar , te beijar

Fechar os olhos e deixar o meu corpo se mover
Livre, sem direção
Se arrastando, se contorcendo, lento

Pegar o travesseiro e sentir o seu cheiro
Lembrar de seu corpo, de suas curvas
E te sentir me abraçar, me desejando por inteiro

Olho lá fora e vejo um céu azul
As cores da cidade, um arco-íris!!!
Cores vivas, firmes, fortes
Um flash, um filme,um corte
E fecho a cortina, me  jogo na cama, cheio de manha!
Porque nessa manhã,
Nada tem mais cor do que  meus sonhos
Nada brilha mais do que meus olhos
Nada me deixa assim, tão feliz, quanto você,
Menina.

domingo, 3 de abril de 2011

CORAÇÃO FATIGADO.


Escuto passos que caminham sem direção
Avançam e retrocedem
E no gingado de um sapateador
Balançam, pulam e se desviam

Ouço então o seu guisado
Sonso e rasteiro
Na espreita, em meu assoalho,
Me oberva

Percebo a sua malícia
Um humilde labrego
Sôfrego em meu desejo
Preso como uma presa

E quanto mais longa é a estrada  
Desencantada, desencanada, desenganada
Ainda cobiça a quimera
Dessa pachorrenta espera

Então, desenfreado seguro a vidraça
E não deixo nada escapar
Apreendo as coisas, a visão, as imagens, o som
Seguro o ar

Faz silêncio na minha boca
No meu olhar
Só o meu coração grita
Fatigado.